17 de Dezembro de 2008

O sono mais profundo: em coma

O estado de coma é uma fronteira silenciosa entre a vida e a morte, sobre a qual sabe-se muito pouco: é um mundo com mais perguntas do que respostas, até mesmo para os especialistas.




A palavra coma vem do grego koma, que significa “estado de dormir”. Obviamente, um indivíduo nesse estado não está a dormir, uma vez que é impossível acordá-lo através de estímulos, como um barulho, por exemplo.
O coração bate, o sangue circula, a respiração é mantida, mas o cérebro não responde a nada. Uma pessoa em estado de coma vive assim, sem consciência nem do que está acontecendo com ela, nem do que ocorre à sua volta. Enquanto alguns pacientes acordam sem se lembrarem de nada, há quem afirme ter passado por experiências que acabaram por mudar o modo de pensar a vida.

O coma, por definição é uma alteração profunda do nível de consciência da qual o individuo não pode ser despertado por estímulos externos verbais, sensoriais e sensitivos.
“Do coma muito pouco se sabe”, afirma Manuela Flores, médica de clínica geral no Hospital Pedro Hispano, "Não há respostas concretas para o que acontece no cérebro de uma pessoa em coma”
Qual a diferença, portanto, para a morte cerebral? “Os dois requerimentos essenciais para o diagnóstico da morte cerebral são, o estabelecimento de paragem de todas as funções cerebrais incluindo o tronco cerebral e a demonstração da sua irreversibilidade (…) O coma é considerado irreversível em caso de morte cerebral, ou seja, quando o cérebro não responde a nenhum estímulo”, explica Manuela Flores.

Existe uma escala, denominada Escala de Glasgow, onde os níveis de incapacidade mental são avaliados. São apresentadas diferentes situações em três parâmetros, com diferentes pontuações. Se a soma dos pontos for inferior a cinco, o paciente encontra-se em coma.


A Escala de Glasgow se baseia em três simples parâmetros para determinar os graus de coma:
1- Abertura dos olhos
2- Resposta verbal (uso da voz)
3- Reacção motora (movimentação)

A recuperação de uma pessoa no estado de coma varia conforme a gravidade da lesão sofrida. Alguns casos não duram mais do que duas a quatro semanas, outros são irreversíveis. Alguns pacientes, quando saem do coma, entram no chamado estado vegetativo. Nesse estado, a pessoa está acordada, pode realizar alguns pequenos movimentos, bocejos e resmungos, no entanto, não responde a qualquer estímulo interno ou externo, evidenciando a persistência da lesão cerebral.

"O desejo de ver o paciente recuperado leva muita gente a interpretar cada movimento como um sinal de recuperação ou até comunicação, o que nem sempre é verdade", afirma Sandra Silva, psicóloga clínica, acrescentando: “Mas não se pode afirmar com certeza até que ponto um paciente em coma não ouve ou não tem noção do que acontece à sua volta, o último sentido a morrer é a audição”.

Há casos em que o coma pode ser provocado pelos médicos, com recurso a medicamentos, com fins terapêuticos. O objectivo é baixar o metabolismo do doente e dar tempo ao cérebro para recuperar de uma lesão. Em suma, induzir o coma é basicamente o mesmo que anestesiar um paciente através de fármacos, podendo ser revertido facilmente.
Não existe uma forma de tratamento no sentido de tirar o paciente do estado de coma que não o induzido. O que se faz nesse sentido é tomar de medidas que previnam futuros danos físicos e neurológicos ao paciente, além de garantir a sua vida, uma vez que é necessária a aplicação de nutrientes através de tubos de alimentação, a utilização de máquinas de ventilação artificial, mudar a posição, etc. O estado de coma é interpretado como o último estado antes da morte.

As taxas de sobrevivência de uma pessoa que se encontra no estado de coma são, em média, de 50%. Dessa parte, menos de 10% conseguem uma recuperação completa.
Actualmente, o coma profundo suscita discussões que trazem ao de cima a questão da eutanásia.

10 comentários:

Sofia Seabra disse...

Reportagem muito objectiva, explicita e que aborda os temas essenciais acerca do estado do coma o que permite a qualquer um compreender este fenomeno do nosso corpo.
Gostei bastante de ler!

Parabéns Sérgio.


Ass: Sofia Seabra(estudante de enfermagem no porto)

Anónimo disse...

Muito util, valeu!!

Paulo Cesar disse...

estou escrevendo um livro sobre o assunto, muito esclarecedor, vlw

Sérgio M. disse...

Ainda bem que pode ser útil. Abr

Cristiaane Matarazzo disse...

Caraca.. Adorei ler isso muuuito bom mesmo :))))

Sérgio M. disse...

Ainda bem :)

Cumprimentos,
SM

Anónimo disse...

Olá.
Olha que interessante Paulo Cesar, também estou escrevendo um livro sobre o assunto.
A reportagem realmente ficou muito boa,e já me ajudou aqui.Mas gostaria de saber também sobre os procedimentos usados depois que um paciente volta do coma. Se alguém tiver respostas,já agradeço.

Anónimo disse...

Olá.
Olha que interessante Paulo Cesar, também estou escrevendo um livro sobre o assunto.
A reportagem realmente ficou muito boa,e já me ajudou aqui.Mas gostaria de saber também sobre os procedimentos usados depois que um paciente volta do coma. Se alguém tiver respostas,já agradeço.

Ass.:Hellen Paiva S.

Sérgio M. disse...

Olá,

Já fiz a reportagem há algum tempo, portanto, já não sou a pessoa mais indicada para a ajudar. Mas com um bocadinho de pesquisa, certamente, vai encontrar.

Cumprimentos,
SM

Anónimo disse...

ESTIVE EM ESTADO DE COMA POR 4 DIAS ONDE OS MEDICOS NÃO DERAM ESPERANÇAS AOS MEUS FAMLIARES.NESSE PERÍODO CONSIDERO QUE ESTIVE EM UM LUGAR COMPLETAMENRE ESCURO,AO ACORDAR TIVE A SENSAÇÃO QUE ALGUÉM ME JOGOU NA CAMA,EMBORA EU JÁ ESTIVESSE LÁ E OS ENFERMEIROS ESTAVÃO ME DANDO BANHO.A CHANCE DE SOBREVIVENCIA ERA MINIMA,TRAGO COMIGO PESSIMAS LEMBRANÇAS E A CERTEZA QUE DEUS SE FEZ PRESENTE EM TODOS MOMENTOS.17/05/12